Walter Bandeira: amigos estão inconformados

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Para o diretor do Instituto de Ciência da Arte (ICA), da Universidade Federal do Pará, Afonso Medeiros, a perda de Walter Bandeira é incomensurável. “Ele era professor de arte e dicção, e estava muito feliz com a construção do laboratório de voz que ele estava coordenando. O Walter era a mesma pessoa como artista e como professor, muito transparente e dedicado. Ele foi o responsável pela formação de uma geração de atores. Perdemos mais que um artista, um professor. Perdemos um amigo”, lamenta.

A emoção permitiu poucas palavras da atriz Wlad Lima. “Éramos amigos de trabalho e está sendo muito difícil aceitar essa perda”.

Já o músico Salomão Habib ressalta a qualidade técnica e vocal de Walter. “Ele não era um cantor; era o Walter Bandeira. O que fica é a sensação da perda de um grande amigo, principalmente por ter sido uma pessoa que poderia ter ganho o mundo, mas optou por ficar ao lado do seu povo que tanto o amava. Vai o corpo, mas fica a alegria que ele proporcionou para muita gente por tanto tempo”.

O ator Marton Maués, amigo e parceiro em diversos trabalhos, relembra a carreira que os dois dedicaram juntos, em relação aos estudos da voz, e a vida no palco. “Ele foi meu professor de voz e nós tínhamos um relação muito boa, desde o tempo do Cena Aberta, nosso grupo de teatro. Nós dois éramos muito ligados e fizemos uma carreira juntos. Ele era meu ídolo. Na verdade, ídolo de muita gente”, diz Marton.

Nos shows, Walter Bandeira sempre dedicada a música “Geni” ao grupo. Marton e Walter prestaram concurso público para a mesma disciplina de voz, na UFPA, e começaram a desenvolver projetos em parceria. “Recentemente, eu e o Walter estávamos trabalhando num projeto de resgate das radionovelas, que faz parte dos nossos estudos sobre a voz. Eu sinceramente acho que ele foi cedo demais, apesar dos seus 67 anos. Acredito que ele ainda tinha muito para fazer, oferecer, viver. É uma perda profunda para todos nós”.

Outro grande amigo de Walter, o cantor Nilson Chaves estava em Tucuruí quando recebeu a notícia da morte. Nos últimos dias, ele acompanhou de perto o estado grave do cantor. Nilson, assim como tantos outros cantores e atores paraenses, foi aluno de Walter Bandeira e viveu grandes momentos ao lado dele. “Aprendi a lidar com minha voz por causa das aulas dele, além de aprender muito com a sua amizade. Ele era bem humorado, tanto que às vezes as pessoas interpretavam mal suas brincadeiras, mas era o jeito dele se expressar. Esses últimos momentos foram muito difíceis. O Walter foi muito importante para mim e tantos outros. Ele foi um grande companheiro.”

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